Crise do emprego juvenil
Um novo relatório alertou que um em cada seis jovens não estará estudando, trabalhando ou recebendo treinamento dentro de cinco anos se "medidas urgentes" não forem tomadas. Apelidado de Relatório Milburn, em homenagem ao seu autor, Alan Milburn, o documento adverte que os sistemas de educação, saúde e bem-estar do Reino Unido "não são mais adequados" para preparar os jovens para a vida adulta.
Os principais grupos empresariais do Reino Unido classificaram a revisão como um "alerta" que "representa uma das avaliações mais significativas dos últimos tempos sobre a participação dos jovens no mercado de trabalho britânico". Aqui, analisamos suas preocupações e recomendações.
Caminhos livres
O relatório destaca que as abordagens atuais de recrutamento precisam mudar para oferecer caminhos claros para o mercado de trabalho. Entre os obstáculos, estão os processos de candidatura complexos e a notável falta de feedback para os candidatos.
O relatório Milburn também constatou que as etapas tradicionais de inserção profissional, como trabalho em tempo parcial, estágios e experiência profissional, perderam força. Além disso, o relatório destaca a importância de horários de trabalho flexíveis para jovens em busca de emprego. Segundo o autor, essas modalidades ajudam os empregadores a reter talentos.
A colaboração local entre instituições de ensino, empregadores e outros é "fundamental", enfatizou o relatório: os Planos Locais de Melhoria de Competências (LSIPs, na sigla em inglês) ajudam a alinhar a formação com oportunidades reais de emprego.
Chamada de despertar
Grupos empresariais, incluindo a Câmara de Comércio Britânica (BCC) e a Federação de Pequenas Empresas (FSB), responderam ao Relatório Milburn, acolhendo favoravelmente as suas conclusões, mas também classificando-o como um "alerta".
A BCC afirmou que o relatório destaca uma "crescente discrepância" entre as necessidades das empresas e a forma como os jovens são efetivamente apoiados ao ingressarem no mercado de trabalho. Ressaltou também que o mercado de trabalho do Reino Unido passou por mudanças, com a redução de vagas de nível inicial e a crescente complexidade dos processos de recrutamento. Além disso, os empregadores relataram problemas relacionados à preparação para o trabalho e às necessidades de apoio.
A BCC apresentou diversas conclusões importantes. O grupo empresarial defendeu que o relatório sirva de alerta para os decisores políticos e afirmou que existe um "claro interesse" por parte das empresas em contratar jovens e investir em talentos futuros.
O grupo empresarial apelou a uma ação urgente e coordenada, incluindo educação profissionalizante desde cedo, percursos de formação acessíveis e redução de custos para os empregadores que contratam jovens.
Oportunidades perdidas
Entretanto, a FSB afirmou que, com muita frequência, as oportunidades para os jovens iniciarem suas carreiras são escassas. A entidade também levantou a questão do impacto do aumento dos custos trabalhistas nas intenções de contratação das empresas: segundo a FSB, os custos trabalhistas são um fator determinante para o número de jovens que não estudam, não trabalham e não estão em formação (NEETs). A FSB afirmou ainda que, embora as pequenas empresas estejam interessadas em contratar jovens, não conseguem arcar com os custos salariais. Essa situação é particularmente comum nos setores de hotelaria e varejo.
A FSB (Federação de Pequenas Empresas) pediu ao governo que priorize muito mais o investimento no próprio trabalho. A entidade acredita que, com muita frequência, mais dinheiro público é gasto na gestão da atividade econômica do que no apoio às pequenas empresas para a criação de empregos, estágios e oportunidades que impeçam os jovens de perderem o emprego.
Segundo o grupo empresarial, os jovens perderão oportunidades vitais se o governo continuar a aumentar os custos de emprego e a endurecer as regulamentações. A FSB instou o governo a usar o Orçamento de Outono para aumentar o Subsídio de Emprego, para que as pequenas empresas "não sejam impedidas de criar os próprios empregos e estágios que os ministros dizem querer ver em maior número".
Só o tempo dirá se as recomendações dos grupos empresariais serão implementadas e se o mercado de trabalho do Reino Unido será melhorado para os jovens que procuram emprego.















